Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2005

Lição de Gramática

Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a
> vitória num concurso
> interno promovido pelo professor da cadeira de
> Gramática Portuguesa.
>
> "Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele
> artigo se encontravam
> no elevador. Um substantivo masculino, com aspecto
> plural e alguns anos bem
> vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem
> definido, feminino,
> singular. Era ainda novinha, mas com um maravilhoso
> predicado nominal. Era
> ingénua, ilábica, um pouco á tona, um pouco ao
> contrário dele, que era um
> sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem,
> fanático por leituras e
> filmes ortográficos. O substantivo até gostou
> daquela situação; os dois,
> sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir.
> E sem perder a
> oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, a
> conversar. O artigo
> feminino deixou as reticências de lado e
> permitiu-lhe esse pequeno índice.
> De repente, o elevador pára, só com os dois lá
> dentro. Óptimo, pensou o
> substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns
> sinónimos. Pouco tempo
> depois, já estavam bem entre parênteses, quando o
> elevador recomeçou a
> movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára
> exactamente no andar do
> substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e
> entrou com ela no seu
> aposento. Ligou o fonema e ficaram alguns instantes
> em silêncio, ouvindo uma
> fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma
> sintaxe dupla para ele
> e um hiato com gelo para ela. Ficaram a conversar,
> sentados num vocativo,
> quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi
> deixando, ele foi usando o seu
> forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um
> imperativo. Todos os
> vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo
> directo. Começaram a
> aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele
> sentindo o seu ditongo
> crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão
> minúscula, que nem um período
> simples, passaria entre os dois. Estavam nessa
> ênclise quando ela confessou
> que ainda era vírgula. Ele não perdeu o ritmo e
> sugeriu-lhe que ela lhe
> soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se
> deixou levar por essas
> palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades
> dele e foram para o
> comum de dois géneros. Ela, totalmente voz passiva.
> Ele, completamente voz
> activa. Entre beijos, carícias, parónimos e
> substantivos, ele foi avançando
> cada vez mais. Ficaram uns minutos nessa próclise e
> ele, com todo o seu
> predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam
> assim, na posição de
> primeira e segunda pessoas do singular. Ela era um
> perfeito agente da
> passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do
> seu grande travessão
> forçando aquele hífen ainda singular.
> Nisto a porta abriu-se repentinamente. Era o verbo
> auxiliar do edifício. Ele
> tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções
> e adjectivos aos dois,
> os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de
> preposições, locuções e
> exclamativas. Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa
> acentuação tónica, ou
> melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os
> seus advérbios e
> declarou a sua vontade de se tornar particípio na
> história.
> Os dois olharam-se e viram que isso era preferível,
> a uma metáfora por todo
> o edifício. Que loucura, meu Deus. Aquilo não era
> nem comparativo. Era um
> superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois,
> com aquela coisa
> maiúscula, com aquele predicativo do sujeito
> apontado aos seus objectos.
> Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o
> ditongo do substantivo ao
> seu tritongo e propondo claramente uma
> mesóclise-a-trois. Só que, as
> condições eram estas. Enquanto abusava de um ditongo
> nasal, penetraria no
> gerúndio do substantivo e culminaria com um
> complemento verbal no artigo
> feminino. O substantivo, vendo que poderia
> transformar-se num artigo
> indefinido depois dessa situação e pensando no seu
> infinitivo, resolveu
> colocar um ponto final na história.
>
> Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo,
> atirou-o pela janela e voltou
> ao seu trema, cada vez mais fiel à língua
> portuguesa, com o artigo feminino
> colocado em conjunção coordenativa conclusiva."
>
>

(Recebido por mail)
publicado por Intemporal às 11:50
link do post | favorito
De Anónimo a 5 de Dezembro de 2005 às 21:52
Óie!
Estou vindo d'além mar para fazer uma visitinha e retribuir o comentário e as palavrinhas amigas, lá no meu cantinho de girassóis. Muito, muito obrigada! Olha, tudo bem que a língua portuguesa é um bocado complicada, mas agora você conseguiu me fundir os neurônios com este post! Misericórdia, só Jesus! Ou, quem sabe, combinando o Aurélio com uma boa gramática!!! Rs... rs .. Tenha uma semaninha maravilhosa, em contagem regressiva para o Natal e na Paz que só Jesus consegue nos dar...
Beijão:
§º_º§Gir@SOL
(http://www.almadegirassol.zip.net)
(mailto:umaalmadegirassol@uol.com.br)
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